Só é possível sair de si estando dentro de si. Tateando as paredes de carne, sentindo os nódulos em busca do diagnóstico inevitável: o de estar presa a si. À incomunicabilidade e imprecisão perfeita de um corpo e de todo um sistema de regras dedicado a movê-lo na terra.

INFO

“Educação pela forma” (2016 – 2021) se iniciou a partir de um autorretrato. Um exercício sugerido pela minha analista em função de que, após constantes modificações corporais e um ganho de 20kg, percebi que não conseguia mais encarar o espelho, nem ter uma percepção acurada do meu próprio corpo. 


Após um súbito emagrecimento e uma mamoplastia de redução de seios, a questão da maleabilidade do corpo passou a me interessar. A princípio pela sensação de falta de controle, mas, a seguir, compreendendo como, em parceria com imagens, os corpos poderiam se tornar estranhos artefatos-narrativos.  Espelhos, que modelam novas formas de ser para o imaginário afetivo.


Construído à medida que construía meu corpo, Educação pela Forma passou a propor uma tentativa de reconstrução da ponte entre a sensação de si e a imagem de si. A reconfiguração de Vênus. O corpo enquanto objeto de observação e perscruta. Um processo de reconstrução, pelo externo e pelo Outro, da nossa própria autoimagem.